quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

grande diálogo!

"(...)
- Em que é que estás a pensar? - indagou Laird.
- Nada de importante.
- O que é?
Voltou-se para o amigo. - Alguma vez reparaste como certas cores se adaptam a certos indivíduos e outras não?
- De que é que estás a falar?
- White e Black (Branco e Preto). Como Mr. White, o tipo que é dono da loja de pneus. E Mr. Black, o nosso professor do terceiro ano. Ou até Mr. Green (Verde) do jogo Clue. Mas nunca conheceste ninguém chamado Mr. Orange (Alaranjado) ou Mr. Yellow (Amarelo). Segundo parece, algumas cores dão bons nomes e outras soam a pura estupidez. Sabes o que quero dizer?
- Não julgo que alguma vez tivesse pensado nisso.
- Nem eu. Até há um minuto, quero dizer. Mas é estranho, não é?
Laird acabou por concordar: - Pois é.
Os dois homens calaram-se por momentos. - Disse-te que não era importante.
- Pois disseste.
. E tinha razão?
. Tinhas.
(...)"

segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Quem nasceu primeiro: o ovo, ou a galinha?

Hoje perguntaram-me como é que eu escrevia um texto e, mais uma vez, senti a minha ignorância no limiar da pele! Foi como quando me perguntaram quem tinha nascido primeiro, se o ovo, se a galinha.
Na verdade, não gosto que me façam perguntas para as quais não sei a resposta. Fico… embaraçada. Às vezes soo nas mãos, outras fico com a cara vermelha!

Não sei… Eu não sei como é que escrevo um texto, até porque nem sempre o faço da mesma maneira ou sob as mesmas condições!
Às vezes escrevo um texto corrido, outras só junto ideias que o ar ou o coração me sussurram de vez em quando e eu vou apontanto à medida que as oiço..
Às vezes escrevo com o propósito de imortalizar algum bom momento ou recordação, outras com o intuíto de suavizar algum tipo de dor causado por certas feridas que de vez em quando teimam em aparecer e me incomodam a alma!
Já escrevi por necessidade, porque não tinha nada para fazer, porque me apeteceu, porque isso me alegra, por escrever, só..
Já escrevi em silêncio e com música de fundo. Já escrevi em casa, na escola, de dia, à tarde, de manhã e à noite. Poemas, teatros, canções, cartas de amor e afins…



Há quem precise envolver-se num ambiente específico ou estar sob determinadas condições para que consiga escrever, caso contrário não o consegue fazer, pelo menos, não da maneira que deseja! Entendo, até porque também tenho as minhas manias e as minhas preferências, no entanto, no fundo, tenho noção de que na escrita, neste tipo de escrita, não há regras! Não há regras, e não há limites! A escrita e a forma com que se escreve é livre e singular, tão livre e tão singular quanto o autor.



E parece fácil… Parece fácil escrever (quando se está a ler principalmente), mas não é, ou então erámos todos escritores e não teria eu centenas de textos inacabados um pouco por todo o espaço que é meu..


Segundo António Lobo Antunes, o segredo da escrita é partir-se do nada e ir aceitando tudo aquilo que nos vem à cabeça sem fazer alterações. Concordo, até porque quando tenho muitas ideias à partida, o habitual é não conseguir escrever texto algum e, quando tenho poucas ou nenhuma, o mais provável é escrever sempre algo que, de uma forma ou de outra, me diz sempre qualquer coisa de bom! Acrescentar-lhe-ia, no entanto, outras coisas, essas sim, comuns a todas as vezes que escrevo! E talvez seja essa a resposta, embora que vaga, muito vaga e não sei se certa, à pergunta que me foi colocada..


Não creio que o segredo da escrita esteja só em partir-se do nada e ir aceitando tudo aquilo que nos vem à cabeça sem fazer quaisquer alterações. Acho que o segredo da escrita passa por um pouco mais que isso. Passa, entre outras coisas, por encará-la, sempre que possível, como se devia encarar um beijo. Passa por encará-la, sempre que possível, como se devia encarar um sorriso e, passa por encará-la, sempre que possível, como se fosse o espelho de uma alma, a voz de um coração..

Não se deve forçar. Deve-se fazer com vontade e sinceridade. Não deve espelhar nada que não a verdade ou dizer aquilo em que não se crê.

É assim que eu escrevo!

Bia.
(29/12/2009)

sweet dreams by Catarina.

quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Complicated!

Hoje fui à praia. Costumo lá ir muitas vezes no Verão, quando posso, ou quando está calor, mas nunca lá tinha ido num dia como o de hoje.. de Inverno, tão frio e tão triste!
Ao contrário daquilo a que me habituei ver naquele espaço, o céu estava escuro e as nuvens carregadas de chuva cobriam qualquer vestígio do Sol; enquanto que o mar, bravio, parecia chateado e fazia com que as suas ondas rebentassem fortes na areia que era abruptamente empurrada pelo vento e levada para outra direcção.
Meu Deus! Nunca tinha visto a praia assim… Tão diferente e tão deserta!
Senti-me estranha ali, sentada na areia em frente ao mar, naquele cenário que outrora julgara bestial e a minha segunda casa..

Fechei os olhos e, de repente, como se por um qualquer impasse de mágica, senti-me regressar a uma época anterior da minha vida.
Não sei explicar qual foi a sensação que tive ao recordá-la de novo, mas talvez tenha sido algo parecido, embora que impossível de descrever exactamente, com nostalgia. Muitas vezes, a nostalgia é envolvida por uma aura de romantismo, factor que aliado ao amor considero essencial de uma vida cheia e maravilhosa. Mas desta vez, não vi razão alguma para tornar estas minhas memórias ainda mais românticas. Foram bons tempos aqueles que recordei ali, e se pudesse voltar atrás acho que quereria que as coisas fossem exactamente iguais àquilo que foram.

Não é que estivesse mal naquele momento, pelo contrário, mas por instantes senti-me com vontade de regressar.. Fizeram-me falta, muita falta, algumas caras. Fizeram-me falta, muita falta, algumas amizades, e fez-me falta, muita falta, sentir alguns outros elos de ligação com o passado, no presente..
Na verdade, senti-me nua naquele instante, perdida em um local qualquer que ainda não conhecia bem e no meio de tanta coisa que desconhecia, e que até nem era má, mas que também ainda não era minha, e talvez fosse isso que me estivesse a causar algum desconforto..


Um dia li que a vida era uma via tormentosa que nos conduzia até ao local onde pertenciamos de facto, portanto agora só me resta esperar, que de uma ou outra maneira, essa via que não julgo tão tormentosa assim, me conduza até ao lugar onde pertenço.
E sinceramente, hoje sinto-me assim… Do passado!
E, enquanto estive na praia e ia sentindo o frio tocar-me o rosto, ia também imaginando que assim que me levantasse e abrisse os olhos as coisas estariam exactamente iguais àquilo que estiveram um dia, lá atrás. Sabia que tal não era possível, mas por um qualquer motivo, esse pensamento tornou mais fácil a recordação, que se prolongou até agora. Tenho saudades!

Bia. (16/12/2009)

domingo, 13 de Dezembro de 2009

a escrita.

"Uma das maiores artes de todos os tempos é a arte de usar as palavras de modo a transmitir algo. Através da poesia, da prosa, do texto dramático, da canção, etc, o Homem expressa os seus sentimentos, os seus propósitos. Inspira. Choca. Entusiasma. Abisma. A versatilidade da palavra é o que torna esta forma de comunicação algo de indispensável, único e maravilhoso."

Maria Joana.

sábado, 12 de Dezembro de 2009

use somebody - kings of leon

Phoebe in wonderland.




«At a certain point in your life, probably when too much of it has gone by, you will open your eyes and see yourself for who you are, especially for everything that made you so different from all the awful normals, and you will say to yourself "But I am this person" and in that statement, that correction, there will be a kind of love!!»

He's gone.

Foi embora... Foi embora sem antes se despedir. Para onde? Não sei, ele não se justificou, só foi. Mas talvez tenha ido para algum lugar colorido onde não tenha que sofrer para ser feliz, e consiga ajudar aqueles de quem gosta sem grandes aparatos. Talvez esteja agora no céu a ver-me escrever-lhe um texto, ou aqui ao meu lado, triste porque não o posso ver mais. Não sei. Só sei que ele já não está aqui. Foi-se! E foi-se para sempre… Morreu! E morreu quebrando a promessa mais importante que alguma vez alguém me tinha feito: a promessa de que estaria sempre por perto... Que mentira tão grande esta em que fui acreditar! Não, ele não me podia ter prometido isso, não antes de partir assim e me ter deixado aqui, sozinha, no meio de tanta coisa que o faz lembrar!

É que eu ainda nem acredito que foste, que já não existes, e que já não vou poder contar contigo e com a tua sabedoria o resto da minha vida...
Queria tanto que me visses crescer, que me visses vincar, ser grande.. Queria tanto que conhecesses a família que ainda vou juntar à nossa, e que estivesses presente daqui a uns anos para que pudesses ler o livro que ainda vou escrever. Queria tanto voltar a ver-te, tocar-te, abraçar-te! Queria tanto voltar a ouvir a tua voz e sentir, de novo, o perfume que usavas e que era tão bom…

É que não foste ali e já voltas. Ou não nos separámos e vamos voltar a ver-nos. Agora acabou. Já não existes, já não te vou voltar a ver, e já não és nada. Nada, senão uma péssima recordação. E péssima de tão inesquecível que foi quando real, de tantas saudades que me traz, de tantas lágrimas que me faz chorar sempre que penso nela, e de tanta dor que me faz sentir sempre que oiço a palavra “avô” e me lembro que já não te tenho aqui para a poder voltar a usar, em ti.

É incrível, mas parece que foi ontem que estive contigo e me des-te a tua bola de ténis. Pequena, amarela, velha e ainda saltitona. A bola que eu nunca devia ter perdido.. Uma prova real da tua existência, e uma demonstração da sinceridade dos teus sentimentos, que agora vejo em fotos, apenas.

Não, não podias ter ido assim, sem te despedir! E não te podiam ter levado sem antes me deixarem ver-te! Eras meu. Eras um dos poucos, muito poucos, amigos de verdade que tinha! Um dos poucos que gostava, realmente, de mim! Agora não és nada. Nada! E nada é nada! Não é um “de momento não há”, “de momento não existe” ou “de momento não está”. É um nada mesmo.. Um vazio! Um vazio eterno e indefinido. Insubstituivel! Incapaz de se sobrepor! Um “não há”, “não existe” e um “não está”… para sempre! Um sonho e um desejo inalcansável, uma memória que tenho medo de perder assim como te perdi a ti...
Nada... Já não és nada, ou melhor, tu agora és nada! E no entanto um nada diferente dos outros. Sabes… é que os outros nada’s não me dizem nada. Na verdade, nem sequer sei o que são muitos deles. E tu… Bem, tu sempre foste tudo. Tudo, que agora se transformou em nada é verdade. Mas em um nada diferente. E diferente porque é um nada que eu escuto no vento e vejo nas estrelas. Um nada que eu sinto sempre que concretizo um sonho, um nada que me traz coragem sempre que penso em desistir de alguma coisa, um nada que não existe mais, mas que eu continuo a sentir e a amar, ainda assim, do mesmo modo que sentia e amava quando não era nada e era tudo…

Eu amo-te avô, e vou amar sempre. Quer estejas aqui, quer não estejas, quer sejas nada, quer sejas tudo. Vais ser sempre meu. O meu querido avô António!

Bia. (02/12/2009)

Assim.

Assim.. Quer dizer, uma das mãos aqui e a outra um bocadinho mais abaixo. Ou melhor, as duas mãos aqui. As duas mãos mais abaixo, a que estava mais abaixo agora aqui, e a que estava mais acima agora um bocadinho mais abaixo.. Depois tocas-me o cabelo, depois tocas-me a cara, depois tocas-me a boca com os dedos, depois aproximas-te, depois fechas os olhos e depois beijas-me. Depois afastas-te e depois sorris. Depois, como eu não sorrio, deixas de sorrir e esperas que eu sorria. Depois piscas os olhos como se de um alarme, tipo aqueles que as ambulâncias usam quando transportam um paciente em estado grave e querem ultrapassar todos os carros até chegarem ao seu destino, se tratassem. Depois perguntas se se passa alguma coisa comigo e largas-me a mão. A seguir não hesitas em procurar o maço de tabaco que tens dentro do bolso, mas desistes, sabes que não gosto. Então voltas a pegar-me na mão e a perguntar-me o que é que se passa, desta vez com uma pontinha de sorriso no rosto que ilustra a esperança que tens na minha resposta. Não sorrio, nem sei o que te dizer.
Deixas o alarme… Agora estás chateado, inseguro e com medo. Perguntas-me se gosto de ti. Depois aproximas-te de novo, e desta vez sinto a tua respiração de olhos abertos. São os meus olhos abertos contra os teus olhos fechados, e a tua boca meia aberta como se de um fúnil se tratasse e a minha a cerrar-se à medida que te vais aproximando e ma tocando com os lábios. Que engraçado, nunca me tinha apercebido do quão ficas querido assim!
De novo as mãos, de novo o alarme nos olhos, a incerteza e o medo nos gestos.
“Não gostas mesmo nada de mim, pois não?” perguntas antes de me segurar o mendinho com tanta força que acabou por me magoar, embora que pouco, muito pouco, quase nada, nada mesmo, quando comparado com aquilo que me magoas quando não estás comigo, assim!

Bia.
(20/11/2009)